É fato, quando pensamos em adolescente logo nos vem à mente adjetivos como "rebelde", "difícil", ou então como um período de crises, desobediência e hoje, muito comumente, violência.
Mas será que sempre foi assim? Este "ser" chamado adolescente, que ainda não é adulto, mas que também não é mais criança, sempre existiu ou trata-se de uma construção social?
Pois bem, o termo "adolescente" surgiu em meados do século XVIII, sendo consolidado apenas no século seguinte. Nem mesmo o conceito de infância, tal como conhecemos existia, este "período" só foi reconhecido (ou conhecido) depois da Idade Média, por volta do século XVI, pois anteriormente a criança era considerada um adulto em miniatura. (Para maiores informações sobre a infância, consulte http://www.psibrunalouisemacedo.blogspot.com.br/2013/08/ser-crianca-na-sociedade-contemporanea_10.html?m=1 )
No século XX, surge no imaginário de representações sociais a adolescência/juventude como um "problema social", caracterizado por crises, rebeldias, conflitos e descobertas.
Atualmente, o conceito que se propaga de adolescência é o de uma fase intermediária, de transição da vida infantil para a vida adulta e comportamentos de risco, violência, drogas, crises estão associados, ou seja, adolescência é "problema", a idade do "perigo".
E é baseado neste discurso que o jovem vai vivenciar este período, este adolescer, o que o faz sentir-se perdido, pois se a criança pede auxílio aos pais e os adultos se apoiam em seus sistemas de crenças, sejam religiosas ou pessoais, em quem o adolescente se apoia?
Nesse contexto que o grupo de pares ganha força, pois as significações sociais servem de referência para a construção dessa identidade, transformando o social em individual.
Por vivermos movidos pelas representações sociais, os adultos também agem de acordo com estas.
Posto isto, coloco uma indagação: por que estamos condenando tanto nossos jovens? "Porque eles estão, em sua maioria, sem limites, intolerantes, usando-se da violência", você vai me responder. Sim! Mas te coloco uma outra questão: por que estão assim? Cadê os pais na educação, limites e afetos? Cadê os pais incentivando à cultura e educação? Para onde foi o respeito à escola e ao outro?
A instituição "família" vem perdendo sua força, e aqui não digo de famílias separadas, hetero, homo, mas sim, com educação, respeito, limites e amor. A Escola é desvalorizada. Nem mesmo a religião tem sua força.
Essas três grandes instituições perderam espaço, força e influência e com isso, onde os jovens vão buscar e ter referência? Onde ele puder encontrar. O grande problema é onde será isso.
Nós, adultos, estamos deixando crianças e jovens cada vez mais vulneráveis e essa filosofia de terem "autonomia", de terem tudo que desejam, nada mais é do que uma fuga de nosso papel de pais, cuidadores e educadores, pois assim, temos "menos" trabalho...
Vivemos em uma cultura do consumo, prazer imediato, alguns até a qualquer preço, do ser o melhor, da exposição, da banalização do sexo e do corpo. E parece que assistimos a tudo isso imóveis, sem reação contrária, por medo, comodismo, indiferença ou por incapacidade de mudar. E assim, os adolescentes jogados e vivendo neste cenário, vão se constituindo.
Sendo assim, será que os adolescentes "são" rebeldes ou violentos ou estamos permitindo que assim se "tornem"?
Se você é pai/mãe, o que faz pelo seu filho? É presente? Dá limites? Dá amor? Afeto? Respeito? Exemplo? Incentivo?
Se você não tem filhos, não pense que está isento, pois também é cidadão e faz parte de uma comunidade e cultura, contribuindo na formação de padrões culturais e sociais, ou seja, o que tem feito por isso também?
segunda-feira, 1 de junho de 2015
Adole"SER": o nem criança e nem adulto da sociedade contemporânea
terça-feira, 31 de março de 2015
Os "nós" em "nós"
Vivemos em uma era de muitos amigos, muitas curtidas, seguidores, cutucadas, likes, ♥, matchs... Enfim, uma infinidade de ferramentas para "aproximar" pessoas, ampliar seu mundo, círculo de amizade, conhecimentos etc...
Sendo assim, estaríamos vivendo, então, a era das grandes amizades, de grandes proximidades, do sentir-se pertencente, amado, querido, certo?
Utilizando-me de uma expressão vastamente utilizada em redes sociais, observo o contrário... "Sqn"!
Observo, vejo, ouço pessoas cada vez mais sozinhas, não digo em companhia, curtidas, seguidores, mas, talvez, na solidão mais doída, a de não se sentir pertencente... A solidão de "estar" ali, mas não "ser" dali... O ter tudo e não sentir este tudo...
Mas, por que isso?
Penso ser este fenômeno atual digno de ser estudado, pesquisado e isto vem ocorrendo... Não tenho a pretensão, aqui, agora, de oferecer uma resposta pronta para tal... Mas, por que não pensarmos nas razões que podem nos levar a isso?
Não sei... Divagando aqui, tenho a impressão de que vivemos em um momento um tanto quanto paradoxal... Prega-se o direito de pensar, de ser livre, do não controle intelectual, sexual, religioso, político... Porém, na realidade essa "independência" não passa de uma "massificação" de seres "únicos". Somos atiçados a pensar única e exclusivamente como todo mundo.
Com isso, nos vemos na obrigação ou compelidos à pensar livre, mas "livre" igual a aquele que tem opinião; nos vemos no desejo se sermos lindos, mas não o nosso lindo, e sim o lindo como o outro é; inteligente como o outro é; desejado como o outro é; querido como o outro é; formador de opinião como o outro é...
É aquela coisa do ideal. Desejamos não o nosso "eu", mas o "eu" do outro, que eu acredito que seja bom, melhor, ideal. O que ocorre e o que não nos damos conta, que esse "outro" que eu desejo pode também não estar feliz consigo e desejar ser um "outro" também.
E assim, te pergunto, quem somos na verdade? O que tanto temos buscado? Por que há esse sentimento tão "compartilhado" de solidão?
Sem querer ser piegas, mas já sendo um pouco, já parou para se olhar e reparar, perceber o quanto é admirável, bonito, engraçado, inteligente ao seu modo? O quanto suas ideias, pensamentos, opiniões, mesmo que para uma única pessoa, já foram significativos e importantes? Que seu sorriso, seu abraço, seu afeto já fez diferença no dia de alguém? Que mesmo alto, baixo, gordo, magro, branco ou negro, sempre tem aquele um ou uma que te acha lindo como é?
Não sei... Penso que temos tanto medo de nós mesmos que fugimos de "nós " e entramos em "nós " cada vez mais emaranhados e difíceis de sair.
Uns ainda tentam sair e conseguem. Outros tentam e desistem. E tem aqueles que nem tentam, permanecem ali, emaranhados e perdidos...
Então, nessa era de solicitações de amizades, segue de volta, bloqueios, mensagens inbox, directs, aceite a você mesmo, não se bloqueie e diga ao seu mundo o quanto você é especial à sua maneira. E viva, curta, compartilhe com você mesmo a "dor e a delícia" de ser você!!!! E assim, sendo um, quem sabe, podemos ser nós...















